domingo, 15 de maio de 2011

A última viagem...

Metrô Conceição, sexta, 13 de maio de 2011. Era por volta das oito da noite. Cheguei ao ponto final da 5126/10 Metrô Conceição – Correio. Linha, aliás, que fazia suas últimas viagens. Depois da chegada do último carro ao Metrô Conceição a linha seria definitivamente desativada.

No ponto final da linha já estava colocada a placa da linha que a substituirá: a 9203/10 Metrô Conceição – Metrô Brás, linha criada em 2009 como alternativa às linhas operadas por ônibus fretados que seguiam da Zona Leste para a região da Av. Luís Carlos Berrini, no Brooklin. Desde sua criação ela cumpria o itinerário Metrô Brás – Berrini, operando somente nos horários de pico. Sua operadora era o Consórcio Unisul, sem uma empresa definida, já que, segundo informações, nenhuma delas possuía frota para operá-la em definitivo. Houve épocas, inclusive, que outros Consórcios tiveram de operá-la em PAESE. Essa operação em conjunto não foge muito a das outras linhas criadas para esse fim, com exceção da 907M/10 Berrini – Metrô Vila Madalena, que deu tão certo que acabou tendo sua operação estendida para o dia inteiro.

Com um passado tão enrolado, alguém teve a ideia de unifica-la à 5126/10 Metrô Conceição – Correio, que, por falta de demanda, também não vinha passando por bons momentos. Com isso, surgiu a nova 9203/10 Metrô Conceição – Metrô Brás que, com algumas alterações de itinerário em relação à 5126/10, vai cumprir o papel que esta fazia nos últimos anos.

Voltando à 5126/10, fiquei um bom tempo esperando o ônibus deixar o ponto final. O fato de haver alguém esperando a linha deixar o ponto final chamou a atenção do fiscal, que alertou: “O itinerário não mudou ainda”. Agradeci o aviso e continuei aguardando. Enquanto aguardava, decidia se faria o trajeto inteiro ou se iria até o ponto perto de casa. Ouço o fiscal comentando com o motorista: “O próximo carro está uma hora atrás de você”. Ouvindo isso, desisti. Melhor seguir até perto de casa mesmo.

Por volta das 20h15, o ônibus finalmente deixa o ponto final. A minha última viagem na linha começa. Embora não tenha feito muitas viagens nessa linha, tenho algumas lembranças especiais. Na minha infância minha mãe a usava para ir com centro da cidade. E eu, logicamente, ia junto com ela. Entravamos nos Monoblocos O364 azul e vermelho da viação Tânia Transportes, que faziam ponto final junto ao antigo Jumbo Eletro (hoje, Extra Aeroporto). Era a clássica Aeroporto – Largo General Osório, cujo trajeto intermediário praticamente não sofreu tantas alterações quanto seus Terminais Principal e Secundário.

O “ciclo de vida” de uma linha de ônibus é o reflexo do crescimento da própria cidade onde ela está. Criada nos moldes atuais em 25 de março de 1978, como 5126/10 Aeroporto – Largo General Osório, a linha chegou a ter mais de trinta carros e uma demanda muito maior do que a de hoje, sendo uma das principais linhas da viação Tânia. O trajeto é interessante: saia do Jardim Aeroporto, fazia uma volta por dentro do bairro do Campo Belo, cruzava a Avenida dos Bandeirantes, seguia por um pedaço de Moema, chegando à Avenida Santo Amaro e, em seguida, subia a Av. Brigadeiro Luiz Antônio, seguindo pelo centro velho até o Largo General Osório, próximo à antiga Rodoviária. Uma linha cheia de voltas e muito abrangente.

Mas o tempo e as mudanças nos conceitos do sistema de transporte da cidade foram minando a linha. Primeiro, a mudança do Terminal Principal para o Metrô Conceição. Depois, veio o Bilhete Único. Com ele, não eram mais necessárias tantas voltas para se chegar a um destino. Com a integração temporal, embora pegando-se vários ônibus, podia-se fazer o trajeto mais diretamente e em menos tempo. Até julho do ano passado, a linha era operada pela Vip Transportes Urbanos, que a cedeu à VIM – Viação Metropolitana. Em novembro, a VIM a cedeu à Tupi. E a cada mudança, foi diminuindo o número de carros na linha e os intervalos foram aumentando. Em janeiro a linha mudou seu terminal secundário do Terminal Princesa Isabel para a Praça do Correio. Não deu muito certo e a linha voltou a perder carros, aumentando os intervalos para cerca de 40 minutos até que a idéia da unificação surgiu.

Vinte minutos depois de o ônibus ter deixado o terminal principal, já estava na Av. Lino de Moraes Leme. Do Metrô Conceição até aquele ponto, além de mim, só havia subido um passageiro, o que dá uma idéia da demanda daquela linha. Desci na mesma avenida. Em seguida, o veículo parte para cumprir os últimos quilômetros da 5126 nas ruas de Sampa.

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