
De repente, uma moça que estava alguns bancos ao lado, começa a contar a sua vida: pelo celular. Ela não fazia questão nenhuma de ser discreta. E foi falando, falando, falando... Mas, para sorte dos demais passageiros, a conversa foi curta e logo ela desligou. Ufa...
Alguns pontos depois, o casal de adolescentes levanta e se prepara para descer. A garota senta em um banco vago próxima à porta direita de descida. Seu "amigo" a segue, carregando duas mochilas, uma em cada ombro – uma dele e outra dela –, topando na cabeça dos demais passageiros. Ela, apesar de sentada, nem faz questão de pegar uma das mochilas. Ele aperta o sinal de descida e faz um comentário: “Olha, a lâmpada pisca”, se referindo às luzes de descida, que piscam para chamar a atenção. Mais alguns pontos e eles descem...
E a chuva ia se intensificando... O trânsito andava a passos de tartaruga... Era por volta das 19h25 e ainda estávamos chegando na região da Saúde. Apesar da demora do Miruna, até que nas paradas não foram subindo tanta gente. Provavelmente o pessoal foi se ajeitando mesmo no carro da frente já que, normalmente, no Metrô Santa Cruz desce muita gente.
Alguns pontos mais, um senhor faz sinal. O motorista pára no ponto e ele sobe. Mas não subiu na sua mais perfeita condição de sobriedade. Estava com a dose – ou melhor, as doses – em dia. Seu cambalear denunciava. Ele chegou na frente do cobrador mas não disse nada. Só gesticulou... Disse que estava sem dinheiro. O cobrador o respondeu, meneando a cabeça, que ele não poderia passar pela catraca. O senhor deu meia volta e, da mesma maneira cambaleante que subiu, desceu no ponto seguinte.
A viagem continuava embaixo de chuva e transito lento. Na parada do metrô São Judas, sobe um número maior de passageiros. Depois que o ônibus deixou a Avenida Jabaquara, entrando na Avenida dos Bandeirantes, a viagem ficou mais ágil. Logo que o ônibus entrou na Avenida Miruna, mais uma leva significativa de passageiros sobe.
A viagem segue descendo a Avenida Miruna até a Avenida Moreira Guimarães, no sentido centro. Nessa saída, o motorista sempre tem problemas. Mas os motoristas que estão na Moreira abrem passagem e o ônibus consegue entrar com tranqüilidade.
O ônibus segue até o Viaduto República Árabe-Síria, faz seu retorno, e volta à Avenida Moreira Guimarães no sentido bairro, que estava também com transito extremamente lento. Sempre em linha reta, segue viagem pela Avenida Washington Luiz até fazer o retorno por baixo do Viaduto Luiz Eduardo Magalhães.
Feito o retorno, curiosamente, vejo o 62004 do outro lado da Avenida, seguindo para fazer o mesmo retorno. Deve ter parado em todos os pontos da Avenida Aratãs, já que não o havia visto durante o trajeto inteiro.
Mais alguns pontos e, finalmente, desço do ônibus às 19h55, 1h15 minutos depois de tê-lo pego na Vila Mariana. Eu vou pra casa e o 62154 segue viagem...
E, por aqui, termina mais uma... Mais uma das tantas histórias que tiveram este ônibus como cenário. Histórias que, infelizmente, se perdem em meio a tantas situações do nosso cotidiano...
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